quarta-feira, 20 de junho de 2012

Ligação mãe e filho(a) - Limites entre a sanidade e doença

Vários de nós conhecemos mães superprotetoras que ligam para seus filhos a todo momento, perguntam se chegaram bem ao trabalho, que horas chegarão em casa, etc.

O problema aparece quando este excesso de cuidados causa sofrimento para o filho e para a mãe. É claro que a função materna é de proteção, mas se o vínculo for muito forte, onde a mãe não consegue permitir que seu rebento "ande com as próprias pernas", isso pode acarretar consequências psicológicas para ambos.

A superproteção pode gerar na criança ansiedade e falta de confiança onde temos uma relação onde ela não consegue "cortar o cordão umbilical" mesmo quando adulto. Ela pode sofrer de angústia, dificuldade em relacionar-se com outras pessoas, problemas no sono, etc. E por incrível que possa parecer a doença do filho é inconscientemente percebida como boa para esta mãe, porque poderá continuar controlando e cuidando da vida dele.

Quando o filho percebe que o vínculo é doentio, pode tentar se emancipar, e aí quem adoece não é o filho, mas a mãe. Como se trata de uma mãe que não entende que seu filho precisa se desenvolver também sozinho, ela pode cair em depressão, ficar com receio da solidão, de envelhecer e ficar só. Ver o filho amadurecer e partir para a vida é sentido por esta mãe como a proximidade de algo que todos nós tememos, em menor ou maior grau, o envelhecimento e a morte. É importante ressaltar que tudo isso se dá de forma inconsciente e a mãe não faz de propósito. Diante do afastamento do filho ela pode padecer de doenças físicas (como uma tentativa inconsciente de que o filho sinta culpa e volte para o seu lado) e psíquicas.

Então, algo curioso acontece: não é mais o filho que vive doente, mas sim a mãe. Também pode ocorrer que dentro desta relação exista uma alternância de sintomas: ora mãe, ora filho estão doentes.

Uma mãe que constrói um vínculo saudável com seu filho, sabe que, apesar da dor de vê-lo crescer e partir, isso é essencial para o seu crescimento e fortalecimento de sua autoestima. Ela tenta elaborar esse conflito, pensando sempre no bem estar daquele sujeito que ela tanto ama.

Um comentário:

  1. Tive esta superproteção na infância, principalmente por que fui o cacula da família com duas irmas mais velhas!Sofro dessa angústia e nem sei me relacionar direito com outras pessoas, deram pra mim o apelido de "fala muito" na faculdade, justamente por ser quieto... Minha mãe fala que sente muita saudade de mim, mas sinto vontade de ir embora e não voltar mais pra casa. Ela recentemente fala como se sua morte estivesse próxima o tempo todo, da sua saúde comprometida por causa da artrite reumatoide, que lhe traz muitas dores e a atrapalha em seu trabalho - sei que é um grande sofrimento. Minha avó materna faleceu meses atrás e isso abalou profundamente a mãe, confesso que fiquei indiferente quanto ao ocorrido... É meio estranho e pode parecer cruel, mas acho que não me importo com mais ninguém, só preciso da mãe até me formar e começar a trabalhar... Queria ver aquela inscrição no meu túmulo, se pudesse morrer agora... Parei por aqui, acho que já enchi muito o saco com meus comentários mórbidos e deprimentes, este será o último! Desculpa se fui muito inconveniente. Valeu, falou Lory!

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