terça-feira, 26 de junho de 2012


Viver numa constante busca
É nunca ter
olhado para si
Viver sob o domínio do medo
É acreditar
na crueldade e na condenação
Viver na esquina da solidão
É não conhecer
seu próprio poder de aceitação
Viver na torrente do ressentimento
É nunca ter
experimentado a compaixão
Viver na dor da inferioridade
É não saber
de sua verdade
A cada momento da vida
Mais vale o que a nós fazemos
Pois quem bem se cuida
A si mesmo a vida ajuda...


(Conserto para uma alma só. Luiz Gasparetto. Editora Vida & Consciência)

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Ligação mãe e filho(a) - Limites entre a sanidade e doença

Vários de nós conhecemos mães superprotetoras que ligam para seus filhos a todo momento, perguntam se chegaram bem ao trabalho, que horas chegarão em casa, etc.

O problema aparece quando este excesso de cuidados causa sofrimento para o filho e para a mãe. É claro que a função materna é de proteção, mas se o vínculo for muito forte, onde a mãe não consegue permitir que seu rebento "ande com as próprias pernas", isso pode acarretar consequências psicológicas para ambos.

A superproteção pode gerar na criança ansiedade e falta de confiança onde temos uma relação onde ela não consegue "cortar o cordão umbilical" mesmo quando adulto. Ela pode sofrer de angústia, dificuldade em relacionar-se com outras pessoas, problemas no sono, etc. E por incrível que possa parecer a doença do filho é inconscientemente percebida como boa para esta mãe, porque poderá continuar controlando e cuidando da vida dele.

Quando o filho percebe que o vínculo é doentio, pode tentar se emancipar, e aí quem adoece não é o filho, mas a mãe. Como se trata de uma mãe que não entende que seu filho precisa se desenvolver também sozinho, ela pode cair em depressão, ficar com receio da solidão, de envelhecer e ficar só. Ver o filho amadurecer e partir para a vida é sentido por esta mãe como a proximidade de algo que todos nós tememos, em menor ou maior grau, o envelhecimento e a morte. É importante ressaltar que tudo isso se dá de forma inconsciente e a mãe não faz de propósito. Diante do afastamento do filho ela pode padecer de doenças físicas (como uma tentativa inconsciente de que o filho sinta culpa e volte para o seu lado) e psíquicas.

Então, algo curioso acontece: não é mais o filho que vive doente, mas sim a mãe. Também pode ocorrer que dentro desta relação exista uma alternância de sintomas: ora mãe, ora filho estão doentes.

Uma mãe que constrói um vínculo saudável com seu filho, sabe que, apesar da dor de vê-lo crescer e partir, isso é essencial para o seu crescimento e fortalecimento de sua autoestima. Ela tenta elaborar esse conflito, pensando sempre no bem estar daquele sujeito que ela tanto ama.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Medo de tomar decisões

De acordo com Lourdes Possato (2010), o indeciso é um cobrador, que muitas vezes não decide por medo de errar, de fracassar. 

Na clínica observo que o medo de tomar decisões realmente está ligado a uma crença de que não se pode falhar, pois o erro seria uma espécie de prova da incapacidade do sujeito.

Na minha opinião, o indeciso é aquele que não quer perder nada, pois toda decisão implica em ganhos e perdas, vantagens e desvantagens. O sujeito quer o controle total das situações e não quer lidar com a frustração de, ao decidir, perder algo.

Ele esquece que, não decidir, também é uma escolha, que possui consequências. O problema da indecisão é a angústia que ela traz. 

O indeciso precisa perceber que a vida é feita também de perdas, não dá para ganhar ou acertar o tempo todo. Penso que, aceitando este fato da vida, fica muito mais fácil lidar com decisões.

Possato ressalta que pessoas indecisas geralmente possuem históricos emocionais que dificultaram o desenvolvimento da autoconfiança e não foram treinadas para serem seus próprios pontos de referência. 

No meu entendimento estes sujeitos podem ter tido pais ou figuras de cuidado equivalentes que não davam autonomia à criança ou adolescente, o que prejudicou o desenvolvimento de um sensação de que são capazes de tomar suas decisões e lidar com as consequências das mesmas. 

O medo extremo de tomar decisões pode fazer com que a pessoa postergue por tempo indefinido decisões que poderiam ser tomadas para melhorar a qualidade de vida das mesmas. Neste caso, é importante refletir, como bem lembra a Lourdes, as desvantagens de não decidir e, se for o caso, procurar auxílio.

(Baseado no livro "Medos, Fobias e Pânicos de Lourdes Possato, Editora Lumem, 2010).