sexta-feira, 4 de maio de 2012

Pessoas que amam demais x pessoas que amam de menos

(Extraído do livro "Distúrbios Familiares de Lou de Oliver)

Amar é colocar em prática um dos sentimentos mais complexos que o ser humano pode experimentar. O amor deveria ser um sentimento desprendido, desejando a felicidade do ser amado, ainda que esta pessoa siga um caminho que não traçamos para ela. Seguindo este raciocínio, a autora diz que talvez o amor mais altruísta, seja o dos pais pelos filhos.

Como seria pedir muito que o amor entre casais também fosse assim, Lou pondera que o amor deveria ser um compromisso de troca, de aprendizado mútuo. Porém, é exatamente a partir daí que nascem as cobranças: "se lhe dei algo, o que você me dará em troca?"

Também na vivência do amor, associa-se a amizade, a cumplicidade, o companheirismo. Mas, como na prática a teoria é outra, o que um dia serviu para fortalecer a união será o maior argumento para destruir o outro, em um processo de divórcio, por exemplo.

Há ainda um motivo que torna o amor muito prazeroso: o sexo. Ele vem temperar o amor...

E o que seria amar demais e o que seria amar de menos?

Amam demais as pessoas que misturam-se simbioticamente ao seus parceiros. Passando a viver a vida deles, perdem suas referências e vivem para prender o outro a si e se prender ao outro. 

De acordo com a minha visão, este tipo de amor é ruim tanto para o ser que ama, e nunca sente-se satisfeito com o amor recebido, como para o ser amado que sente-se "sufocado" e invadido pelo outro. Neste caso, não há um amor de fato, mas sim uma mistura infantil de egoísmo, insegurança, medo, controle, o que gera a possessividade. 

Segundo Lou, o outro lado desta mistura infantil de egoísmo e insegurança pode gerar o contrário da possessividade que é o descaso, uma espécie de narcisismo que faz com que o indivíduo não ame ninguém além de si mesmo. Aqui temos o amar de menos.

Já tive a oportunidade de observar este tipo de amor no consultório, sendo uma relação devastadora, que suga a autoestima do parceiro, já que este é concebido apenas como uma pessoa que deve cultuar o outro e encher de elogios o parceiro, à custa de ser ainda mais desprezado por ele. 

Na visão da autora também podemos incluir no tipo que ama de menos, relações onde um ou os dois vivem envolvidos com amantes.

Uma coisa me parece certa: em todos os casos acima citados o parceiros precisam de ajuda para conseguirem se relacionar de forma mais saudável, onde um não sacrifica sua integridade pelo outro, ou é prejudicado por este. 

Como terapeuta de casais observo que nem sempre os parceiros estão dispostos a mudar a sua forma de amar, preferindo a separação. Porém, há também casos onde, após a percepção de que sua forma de amar o outro é prejudicial, e que uma mudança é importante, não apenas para a relação atual, como também para qualquer uma outra que o sujeito venha a ter, os indivíduos esforçam-se para operar as mudanças necessárias.

Um comentário:

  1. Nossa acho que tava amando demais uma garota. Sinto que um dos motivos dela ter me rejeitado foi que ela temia perder a autonomia de sua própria vida! Mas também estava com inveja dela e sentia que estava sendo esnobado, uma mistura de sentimentos que parece mais um show de horrores...

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