terça-feira, 29 de maio de 2012

Significado Psicológico dos Medos: Medo de desgraças

Quando alguém tem um medo muito grande de que algo terrível possa acontecer em sua vida, vive em meio a insegurança e possui uma visão pessimista dos eventos e da vida. Ela sente como se fosse incapaz de lidar com problemas que venham a surgir, o que denota uma baixa autoestima.

O mais curioso de tudo é que este comportamento pode ser compreendido como um modo de defesa do sujeito, pois antecipando desgraças que geralmente não ocorrem, ela sente como se tivesse se preparando para o possível problema e depois que ele não ocorre, sente um grande alívio. A teoria da abordagem cognitivo-comportamental é que este alívio decorrente do fato de que a desgraça imaginada não ocorreu, alimenta este comportamento de preocupação antecipada.

É necessário que indivíduo pese na balança os prós e contras de se preocupar antecipadamente, pois apesar de sentir-se "preparado" caso algo ruim ocorra, a ansiedade que acompanha a preocupação pode ser tão grande que paralisa a vida da pessoa, pois entrando em um desespero antecipado, ela sente-se desprotegida e vive em um estado de hipervigilância, sempre atenta a possíveis desgraças. Depois que o evento não ocorre, ela sente um alívio, mas este é temporário, e logo o sujeito identificará outra possível ameaça que precisa se proteger, gerando um estresse que afeta sua saúde física e psicológica.

Se preocupações assolam a vida da pessoa de forma continuada e traz prejuízos para o seu bem estar, isso pode ser indicativo de um transtorno denominado pelos psiquiatras de "transtorno de ansiedade generalizada". Nele, a pessoa gasta muito tempo da sua energia mental se preocupando com quase tudo e vocês podem imaginar o quanto isto tudo pode ser muito angustiante.

Caso você tenha preocupações excessivas é necessário se policiar para ficar sempre no presente, no "aqui e agora", além de trabalhar a autoestima, a autoconfiança e os pensamentos/ crenças que alimentam as preocupações.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

A força interior é aprendida tanto nos momentos de solidão como nos momentos em que nos relacionamos

"Você pode ficar demasiadamente apegado à posse de um abrigo ou de uma proteção, mas isso não lhe dará força. A força sempre vem quando você encara situações difíceis" 

Osho, autor da frase acima, nos diz que antigamente as pessoas costumavam se mudar para mosteiros, diferentes cavernas, etc, e lá elas atingiam uma certa paz. Porém, de acordo com o autor, essa paz não era real, pois assim que essas pessoas retornavam ao "mundo" em que estavam tentando fugir, ela era destruída, se tratando de uma paz frágil. Esse tipo de isolamento era um tipo de fuga, e não de crescimento.

Para ele devemos aprender a ficar sozinhos, mas sem ficarmos muito apegados a nossa solidão. É importante cultivar nossa capacidade de se relacionar com os outros, pois de acordo com suas palavras: 
"[...]não se mova para o extremo onde você se torna incapaz de amar. Seja silencioso, pacífico, sereno, mas não fique obcecado por essa quietude, ou não será capaz de encarar o mundo".

Ele nos lembra que é muito fácil ficarmos em silêncio quando estamos sós, difícil é ficarmos calados quando estamos com as pessoas. Porém, é importante encararmos este desafio. 

É só quando você consegue ficar em silêncio mesmo estando rodeado de pessoas, é que você conquista o verdadeiro silêncio e nada pode destruí-lo.

Na minha visão, temos que buscar o equilíbrio. Nem sempre ficar calado é a melhor solução, porém, realmente existem momentos em que o silêncio é a melhor resposta. Quando conseguimos ficar em silêncio e sozinhos conosco, temos a possibilidade de entrarmos em contato com o nosso "eu". 

Tudo isso é necessário, mas não aprendemos a lidar com as dificuldades apenas na solicitude. Será também na relação com os outros que teremos de encarar e colocar em prática nossa capacidade de estar em paz, mesmo quando o outro está no nervosismo, na ansiedade, no medo ou na raiva.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Livro lista os 5 principais arrependimentos das pessoas que estão prestes a morrer

Livro escrito por enfermeira australiana que se dedica ao cuidado de doentes terminais listou os 5 principais arrependimentos de pessoas que estão prestes a morrer. Nos depoimentos por ela colhidos, cinco se destacaram:

1) Queria ter tido a coragem de fazer o que realmente queria e não o que as pessoas esperavam que ela fizesse;

2) Queria não ter trabalhado tanto;

3) Queria ter tido coragem de falar o que realmente sentia;

4) Queria ter retomado o contato com os amigos;

5) Queria ter sido mais feliz.

(fonte: Revista Psique, ano VI n 76)



http://www.facebook.com/psicologianasuavida

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Pessoas que amam demais x pessoas que amam de menos

(Extraído do livro "Distúrbios Familiares de Lou de Oliver)

Amar é colocar em prática um dos sentimentos mais complexos que o ser humano pode experimentar. O amor deveria ser um sentimento desprendido, desejando a felicidade do ser amado, ainda que esta pessoa siga um caminho que não traçamos para ela. Seguindo este raciocínio, a autora diz que talvez o amor mais altruísta, seja o dos pais pelos filhos.

Como seria pedir muito que o amor entre casais também fosse assim, Lou pondera que o amor deveria ser um compromisso de troca, de aprendizado mútuo. Porém, é exatamente a partir daí que nascem as cobranças: "se lhe dei algo, o que você me dará em troca?"

Também na vivência do amor, associa-se a amizade, a cumplicidade, o companheirismo. Mas, como na prática a teoria é outra, o que um dia serviu para fortalecer a união será o maior argumento para destruir o outro, em um processo de divórcio, por exemplo.

Há ainda um motivo que torna o amor muito prazeroso: o sexo. Ele vem temperar o amor...

E o que seria amar demais e o que seria amar de menos?

Amam demais as pessoas que misturam-se simbioticamente ao seus parceiros. Passando a viver a vida deles, perdem suas referências e vivem para prender o outro a si e se prender ao outro. 

De acordo com a minha visão, este tipo de amor é ruim tanto para o ser que ama, e nunca sente-se satisfeito com o amor recebido, como para o ser amado que sente-se "sufocado" e invadido pelo outro. Neste caso, não há um amor de fato, mas sim uma mistura infantil de egoísmo, insegurança, medo, controle, o que gera a possessividade. 

Segundo Lou, o outro lado desta mistura infantil de egoísmo e insegurança pode gerar o contrário da possessividade que é o descaso, uma espécie de narcisismo que faz com que o indivíduo não ame ninguém além de si mesmo. Aqui temos o amar de menos.

Já tive a oportunidade de observar este tipo de amor no consultório, sendo uma relação devastadora, que suga a autoestima do parceiro, já que este é concebido apenas como uma pessoa que deve cultuar o outro e encher de elogios o parceiro, à custa de ser ainda mais desprezado por ele. 

Na visão da autora também podemos incluir no tipo que ama de menos, relações onde um ou os dois vivem envolvidos com amantes.

Uma coisa me parece certa: em todos os casos acima citados o parceiros precisam de ajuda para conseguirem se relacionar de forma mais saudável, onde um não sacrifica sua integridade pelo outro, ou é prejudicado por este. 

Como terapeuta de casais observo que nem sempre os parceiros estão dispostos a mudar a sua forma de amar, preferindo a separação. Porém, há também casos onde, após a percepção de que sua forma de amar o outro é prejudicial, e que uma mudança é importante, não apenas para a relação atual, como também para qualquer uma outra que o sujeito venha a ter, os indivíduos esforçam-se para operar as mudanças necessárias.

A importância do descontrole em nossa vida!


Tenho vontade de comentar sobre este assunto com vocês porque observo que algumas pessoas possuem dificuldade em lidar com a incerteza em suas vidas. 

Não é raro ficarmos totalmente desnorteados e indignados quando algo sai de nosso controle. O ser humano precisa de certa previsibilidade em sua vida porque não aguentaríamos ficar em estado de estresse contínuo diante de mudanças inesperadas. 

Porém, ocorrem casos onde os sujeitos sentem que precisam controlar tudo o que lhes acontece, ou melhor, tentar controlar. E é justamente na tentativa de controlar o incontrolável da vida, que a pessoa é invadida por uma angústia tamanha que pode lhe trazer consequências negativas para a sua saúde física e emocional (gastrites nervosas, dores de cabeça, dores musculares, irritabilidade, tristeza, medo, etc).

A compreensão de que há momentos em que as coisas fogem ao nosso controle é melhor trabalhada em nós, se acreditamos na nossa capacidade de lidar com as adversidades. 

Se nos deixamos levar pela negatividade, ou seja, se diante de algo que não temos como prever o seu final, acreditamos que aquilo não dará certo e ponto final, muito provavelmente ficaremos angustiados. Não se trata apenas de "pensar positivo", pois pensar positivo sem acreditar, de nada vale, é autoengano. Porém, se não sabemos o final por que temos que "dramatizar" as coisas, aumentando as suas consequências, nos agarrando no pior que poderia acontecer? 

Uma postura mais sensata me parece a aceitação. Aceitar que não somos os senhores de tudo, que há coisas que fogem ao nosso controle e que diante delas, temos a opção de esperar as coisas acontecerem, sem nos aterrorizarmos diante de suposições que são frutos de nossa imaginação catastrófica, é para mim, o melhor posicionamento que podemos tomar.

Aqui, é importante ressaltar, estamos discutindo eventos que sabemos que nada podemos fazer, onde esperar é o mais indicado. É claro, que existem momentos na vida que devemos nos antecipar aos problemas, mas é necessário saber diferenciar o que é tentar resolver um possível problema e se desesperar diante de problemas que talvez nem venham a ocorrer. Estes últimos só nos levam tempo e energia, energia esta que poderia ser canalizada para algo do presente realmente importante.

E se pensarmos bem, diante do imprevisível é possível verificarmos como somos seres capazes de nos adaptar. Sempre imagino que se tudo na vida fosse previsível, boa parte de sua graça não existiria, não teríamos nada a aprender, e crescer não seria possível.
"O medo é motivador, não é ruim como as pessoas acham, assim como a ansiedade. O problema é você se paralisar ou fugir diante das situações temidas. Assim, você reforça ainda mais o "complexo de incapacidade", isto é, quanto mais teme, menos enfrenta, dando força para a crença de que você não é capaz."

Lory Gonçalves