quarta-feira, 6 de julho de 2011

Por que nos autossabotamos e repetimos atitudes que atrapalham nossos relacionamentos?

Quantas vezes tentamos mudar em vão comportamentos e atitudes que nos desagradam, mas por mais que insistamos não temos êxito? Pode ser realmente muito frustrante quando percebemos que volta e meia estamos repetindo o mesmo comportamento inadequado que tempos atrás tínhamos prometido a nós mesmos que não mais o repetiríamos.

A explicação do por que nos autosabotamos é bastante complexa, justamente porque a causa varia de indivíduo para indivíduo, exigindo uma investigação profunda, investigação esta que deve ser feita através da psicoterapia.


Baseada em minha experiência clínica e em literatura específica, pude perceber que apesar de ser essencial que tenhamos um olhar diferenciado para cada caso, é possível observar que existe um fator que pode contribuir para que o ciclo da autossabotagem se instaure, nos fazendo repetir atitudes que nos fazem sofrer.


Essa autossabotagem pode ser uma repetição inconsciente de atitudes que aprendemos com nossos pais ou figura equivalente. Muitas vezes não nos damos conta que estamos repetindo as mesmas dificuldades que um de nossos genitores ou ambos apresentavam, e que observamos durante nossa infância e adolescência.

Como nossos pais são nossos modelos mais próximos,  é muito comum que aprendamos a olhar o mundo e as pessoas sobre um prisma muito parecido com o deles e sem percebemos repetimos seus comportamentos e maneiras de pensar, o que acaba resultando também na repetição em nossas vidas de erros que nossos pais cometeram.


Outro fator que considero interessante na autossabotagem inconsciente  é quando repetimos numa tentativa de mudarmos o que não foi bom. Um exemplo ocorre quando escolhemos sempre um determinado tipo de parceiro que se pararmos para analisar, nos trata de forma muito semelhante ao modo como uma de nossas figuras parentais nos tratavam, Neste caso, a repetição é uma tentativa inconsciente de nossa parte de tentarmos mudar  àquele pai/ mãe, de conseguirmos o carinho/ afeto que nos faltou. Já observei casos, por exemplo, de homens e mulheres que escolhiam parceiros que lhes rejeitavam ou lhes tratavam mal, exatamente igual como fora tratado por um de seus pais no passado, numa tentativa de conseguir o amor que lhes faltara.


Gostaria de salientar que essa repetição de nossos erros com objetivo de tentar consertá-los pode ser vivenciado não apenas no âmbito de nossos relacionamentos amorosos, como também em outros aspectos de nossa vida.


Outro aspecto intrigante da autossabotagem ocorre quando a pessoa repete atitudes que lhe fizeram sofrer no passado porque apesar do sofrimento, aquela atitude de alguma forma lhe traz alguma satisfação, ou seja, apesar da pessoa sofrer ela tira vantagens daquela situação e não percebe que repete, justamente também  porque aquilo lhe traz algum benefício. Uma situação que pode ser citada ocorre quando a pessoa se comporta de determinada forma para receber, por exemplo, atenção das pessoas. Nestes casos, além de sofrimento a repetição do erro também traz satisfação, mas sempre lembrando que a pessoa não tem consciência disto e não repete de forma premeditada.


Quero finalizar este artigo ressaltando a diferença entre se autossabotar e repetir um erro por falta de vontade de mudar, ou seja, por comodismo. Na autossabotagem a pessoa realmente não tem consciência do porquê repete algo que lhe faz mal e é através do processo psicoterápico que ela pode tomar consciência disto. Uma vez que toma consciência, o indivíduo passa a ter a liberdade de escolher, e trabalhando suas questões na terapia pode escolher conscientemente romper com o ciclo da autossabotagem. Se a pessoa mesmo tomando consciência continua repetindo atitudes destrutivas, pode ser porque não tem o interesse de mudar, isto é, pensa que as vantagens de continuar com tal comportamento são maiores que as desvantagens.


Sei que este artigo pode parecer um pouco polêmico para muitos, mas este é um assunto que particularmente me fascina e penso que pode fazer você refletir se está se autosabotando de alguma maneira e se quer romper com este ciclo.


Para saber mais leia: “O ciclo da auto-sabotagem - Por que repetimos atitudes que destroem nossos relacionamentos e nos fazem sofrer” de Stanley Rosner e Patricia Hermes.

OBS: Aqui autossabotagem fora escrito com base nas novas regras gramaticais.







3 comentários:

  1. acho que este assunto não se fecha nunca

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    1. Olá Lia. Realmente você está certa. Na verdade penso que nem este nem os outros assuntos que envolvem o humano pode existir "uma palavra final". O ser humano é muito complexo para fazermos isto. Tudo é um modo de observar as coisas..Este é um modo um pouco psicanalítico de ver a questão. Bjs e nos viste sempre que quiser! ;)

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  2. a questão mais dificil é...como parar de se auto sabotar? :/

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