domingo, 24 de julho de 2011

O significado psicológico das doenças: Tendinite

Esse artigo é um resumo baseado no livro "Metafísica da Saúde" , Vol. 3, de Valcapelli e Gasparetto (Editora Vida & Consciência). Gosto muito desta coleção e sempre que tenho a oportunidade posso verificar na clínica como os meus pacientes se identificam com o significado psicológico das doenças descritos nestes livros. Para saber mais detalhadamente sobre esta e outras doenças recomendo a aquisição desta obra.

A tendinite é uma inflamação nos tendões e de acordo com Valcapelli & Gasparetto (2007) a pessoa que sofre desta enfermidade costuma executar suas atividades em um ritmo muito acelerado, podendo ocasionar a lesão por esforço repetitivo (LER). Para estes autores a tendinite ocorre geralmente em pessoas que se sobrecarregam executando atividades sem o devido planejamento e que não compreendem que a seu tempo tudo pode ser feito, sem a necessidade de tamanho estresse.

Para eles a tendinite afeta pessoas que são eficientes, mas não se valorizam, nem reconhecem seu potencial. Elas costumam dar mais importância à avaliação das pessoas sobre o que realizam à satisfação de estarem realizando aquilo que gostam.

As pessoas afetadas pela tendinite esquecem momentaneamente que as atividades que desempenham são aquilo que escolheram fazer nas suas vidas e que estas atividades não podem ser apenas sinônimo de pressão ou autocobrança, mas também de realização pessoal. Mesmo fazendo o que gostam, elas acabam perdendo a qualidade de realizar com prazer as suas funções.

Também de acordo com Valcapelli & Gasparetto a tendinite pode surgir em pessoas que executam tarefas que não suportam mais realizar. Neste caso, suas ações passam a ser automáticas e isto abala o seu equilíbrio interior, trazendo irritação.

Os autores sugerem que é necessário que a pessoa entenda que deve realizar suas ações focando-se no presente, sem ficar tentando antecipar os resultados esperados.

Para mim, Lory Gonçalves, a tendinite é, assim como outras doenças, um aviso que seu corpo dá para que você diminua o seu ritmo e olhe mais para dentro de si. No caso específico da tendinite, é compreender que você deve fazer o melhor que pode naquele momento, sem se exigir demasiadamente. Não será executando suas atividades de forma frenética, sem respeitar seus limites, que você fará que os resultados cheguem no momento em que deseja. Suas conquistas profissionais serão resultado de seu esforço pessoal para alcançá-las, mas também dependerão de uma série de fatores que você não tem controle.

Respeitar o seus limites, entender que as coisas só vão acontecer quando for o momento propício, e que você deve tentar retirar prazer do que faz,  são os caminhos para o alívio da tensão e a conscientização de que seu corpo e sua mente precisam do respeito e descanso devidos. Afinal, seja  qual for o seu trabalho, de alguma forma ele está lhe ajudando a prosperar e ensinando lições importantes para a sua vida.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

O divórcio e suas consequências para as crianças/ adolescentes

De acordo com Hyun Sik Kim que desenvolveu uma pesquisa sobre o tema na Universidade de Wisconsin- Madison, crianças com pais divorciados apresentam queda no rendimento em provas de matemática, mostram problemas com habilidades interpessoais e introspecção durante o período de divórcio. Já os jovens ficam mais propensos a sentimentos de ansiedade, solidão e principalmente baixa autoestima, diz estudo. (fonte: Revista Psique - Ano VI n° 67)

Como aponta esta pesquisa, concordo que realmente é necessário que os pais observem melhor o comportamento de seus filhos no momento do divórcio. Este é sim considerado um momento de crise familiar e mesmo que a opção pelo divórcio seja a melhor  (não apenas para os pais como para os filhos) é importante não esquecer que a relação marido e mulher pode ter acabado, mas a função materna e paterna não.

Mesmo que seu filho não apresente queda no rendimento escolar, com certeza alguma mudança comportamental poderá ser observada, afinal, a estrutura familiar se rompeu e todos devem se adequar ao novo arranjo familiar. Um dos problemas que percebo no consultório é como os pais às vezes "mascaram" ou preferem fingir que nada mudou para seus filhos, só porque nenhuma mudança brusca em seu comportamento ocorreu.

As crianças podem não demonstrar abertamente seus sentimentos e justamente por isso é tão importante o diálogo neste momento. Incentivar a criança / adolescente a falar sobre os seus sentimentos e ser franco com relação ao futuro da família é essencial. Demonstrar não apenas através de palavras, como também através de atos que, sim, o amor entre o casal pode ter acabado, mas não o amor pelo filho.

Não podemos esquecer também do cuidado ao falar do marido ou esposa que saiu de casa, pois uma das piores coisas que podemos fazer ao nosso filho é criar para ele uma imagem ruim de seus pais. Então, mesmo que existam mágoas, lembrem-se que seu filho nada tem a ver com as mesmas e que a alienação parental prejudica o bem estar psicológico do mesmo, além de quem o comete pode vir a ser punido legalmente (a lei prevê medidas que vão desde o acompanhamento psicológico, aplicação de multa ou até mesmo a perda da guarda da criança). Para saber mais sobre alienação parental acesse: http://www.alienacaoparental.com.br/lei-sap

Se você está em processo de divórcio e perceber que seu filho vem apresentando mudança comportamental significativa e se recusa a falar sobre o assunto, você pode pedir auxílio a um profissional (psicólogo) para que o mesmo lhe oriente e trabalhe estas questões com a criança / adolescente.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Por que nos autossabotamos e repetimos atitudes que atrapalham nossos relacionamentos?

Quantas vezes tentamos mudar em vão comportamentos e atitudes que nos desagradam, mas por mais que insistamos não temos êxito? Pode ser realmente muito frustrante quando percebemos que volta e meia estamos repetindo o mesmo comportamento inadequado que tempos atrás tínhamos prometido a nós mesmos que não mais o repetiríamos.

A explicação do por que nos autosabotamos é bastante complexa, justamente porque a causa varia de indivíduo para indivíduo, exigindo uma investigação profunda, investigação esta que deve ser feita através da psicoterapia.


Baseada em minha experiência clínica e em literatura específica, pude perceber que apesar de ser essencial que tenhamos um olhar diferenciado para cada caso, é possível observar que existe um fator que pode contribuir para que o ciclo da autossabotagem se instaure, nos fazendo repetir atitudes que nos fazem sofrer.


Essa autossabotagem pode ser uma repetição inconsciente de atitudes que aprendemos com nossos pais ou figura equivalente. Muitas vezes não nos damos conta que estamos repetindo as mesmas dificuldades que um de nossos genitores ou ambos apresentavam, e que observamos durante nossa infância e adolescência.

Como nossos pais são nossos modelos mais próximos,  é muito comum que aprendamos a olhar o mundo e as pessoas sobre um prisma muito parecido com o deles e sem percebemos repetimos seus comportamentos e maneiras de pensar, o que acaba resultando também na repetição em nossas vidas de erros que nossos pais cometeram.


Outro fator que considero interessante na autossabotagem inconsciente  é quando repetimos numa tentativa de mudarmos o que não foi bom. Um exemplo ocorre quando escolhemos sempre um determinado tipo de parceiro que se pararmos para analisar, nos trata de forma muito semelhante ao modo como uma de nossas figuras parentais nos tratavam, Neste caso, a repetição é uma tentativa inconsciente de nossa parte de tentarmos mudar  àquele pai/ mãe, de conseguirmos o carinho/ afeto que nos faltou. Já observei casos, por exemplo, de homens e mulheres que escolhiam parceiros que lhes rejeitavam ou lhes tratavam mal, exatamente igual como fora tratado por um de seus pais no passado, numa tentativa de conseguir o amor que lhes faltara.


Gostaria de salientar que essa repetição de nossos erros com objetivo de tentar consertá-los pode ser vivenciado não apenas no âmbito de nossos relacionamentos amorosos, como também em outros aspectos de nossa vida.


Outro aspecto intrigante da autossabotagem ocorre quando a pessoa repete atitudes que lhe fizeram sofrer no passado porque apesar do sofrimento, aquela atitude de alguma forma lhe traz alguma satisfação, ou seja, apesar da pessoa sofrer ela tira vantagens daquela situação e não percebe que repete, justamente também  porque aquilo lhe traz algum benefício. Uma situação que pode ser citada ocorre quando a pessoa se comporta de determinada forma para receber, por exemplo, atenção das pessoas. Nestes casos, além de sofrimento a repetição do erro também traz satisfação, mas sempre lembrando que a pessoa não tem consciência disto e não repete de forma premeditada.


Quero finalizar este artigo ressaltando a diferença entre se autossabotar e repetir um erro por falta de vontade de mudar, ou seja, por comodismo. Na autossabotagem a pessoa realmente não tem consciência do porquê repete algo que lhe faz mal e é através do processo psicoterápico que ela pode tomar consciência disto. Uma vez que toma consciência, o indivíduo passa a ter a liberdade de escolher, e trabalhando suas questões na terapia pode escolher conscientemente romper com o ciclo da autossabotagem. Se a pessoa mesmo tomando consciência continua repetindo atitudes destrutivas, pode ser porque não tem o interesse de mudar, isto é, pensa que as vantagens de continuar com tal comportamento são maiores que as desvantagens.


Sei que este artigo pode parecer um pouco polêmico para muitos, mas este é um assunto que particularmente me fascina e penso que pode fazer você refletir se está se autosabotando de alguma maneira e se quer romper com este ciclo.


Para saber mais leia: “O ciclo da auto-sabotagem - Por que repetimos atitudes que destroem nossos relacionamentos e nos fazem sofrer” de Stanley Rosner e Patricia Hermes.

OBS: Aqui autossabotagem fora escrito com base nas novas regras gramaticais.