domingo, 1 de maio de 2011

O medo de morrer x medo de viver

Tem uma autor que  admiro muitíssimo: Irvin Yallom. Ele é um psicólogo existencial que fala da angústia de morte de maneira sublime e tentarei passar para vocês o que seria a angústia de morte.

Todos nós tememos a morte e lidamos com ela desde cedo. Quando crianças, quando uma folha amarela cai da árvore, um bichinho de estimação morre ou até mesmo quando um ente querido falece, tomamos consciência de nossa mortalidade.

O problema começa quando na vida adulta ao negarmos nosso medo da morte ele surge de forma disfarçada, como por exemplo, através do Transtorno do Pânico. A angústia de morte também pode aparecer quando ficamos tristes com a proximidade de nosso aniversário e não entendemos o motivo, numa ansiedade que nos acomete sem um motivo aparente, entre outras formas.

Irvin, em seu livro "De frente para o sol", cita um trecho de uma obra de Nietzsche que explica de maneira belíssima uma das causas que pode estar relacionada ao nosso medo de morrer, quando este é muito forte. Nesta poesia fica claro que o medo exacerbado da morte pode ser um reflexo de uma vida que não está sendo vivida de forma plena, então a idéia de morte para algumas pessoas torna-se insuportável, pois ela sente que poderia estar vivendo uma vida que a satisfizesse mais, porém fica paralisada e sem conseguir viver essa vida.

Nietzche, em "Assim falava Zaratrusta" coloca:

" E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em sua mais solitária solidão e lhe dissesse: "Esta vida assim como tu a vives agora, e como a viveste, terás de vivê-la ainda mais uma vez e ainda inúmeras vezes; e não haverá nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indizívelmente pequeno e de grande em sua vida há de retornar, e tudo na mesma ordem e sequencia [...]


Não te lançarias ao chão e rangeria os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falastes assim? 
Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderias: "Tú és um Deus e nunca ouvi nada mais divino!"


Então, o medo exagerado do morrer seria para Irvin um reflexo de uma vida mal vivida, isto é, uma vida onde as pessoas estão mais preocupadas em satisfazer as necessidades dos outros do que as suas. Uma vida onde se faz tudo "certinho", tudo dentro do script, mas na verdade esta pessoa gostaria de realizar outras coisas em sua passagem na Terra, mas se paralisa diante do medo de ser ela mesma, do que os outros vão falar, etc.


E você? Acharia que a entidade da obra de Nietzsche seria um demônio ou um Deus? O que anda fazendo de sua existência? Está com medo de viver da forma que gostaria?



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