sábado, 23 de abril de 2011

A banalização do diagnóstico de depressão e uso de antidepressivos



É notável que nas últimas décadas houve um aumento considerável  na detecção de casos de depressão e consequentemente na prescrição de medicações antidepressivas. Porém, é importante refletirmos sobre as questões que podem estar por detrás desse "boom" da depressão na sociedade moderna e suas consequências para as pessoas que recebem tal diagnóstico, sem necessariamente se enquadrarem num caso de transtorno depressivo maior.

A indústria farmacêutica e profissionais de saúde não devidamente preparados  muito contribuíram para esta banalização da depressão. A primeira porque, obviamente, ganha muito difundindo o transtorno e vendendo os antidepressivos. Já alguns profissionais de saúde (aqui é importante ressaltar que não todos, mas sim os não-éticos) ganham pacientes prometendo melhora dos sintomas (geralmente tristeza e desânimo) através da medicalização, sem se preocuparem com as seguintes questões:

1. Se realmente o caso é de depressão ou apenas uma tristeza pontual e com motivo: em alguns casos a pessoa está passando por situações de vida que geram tristeza e é natural que assim o seja. 

Exemplos: perda de pessoas significativas, perda de emprego, fim de um relacionamento, diagnóstico de doença grave em ente querido, etc. Nestes casos, é mais que natural que a pessoa sinta-se triste e tenha um tempo para compreender a situação e se reestruturar. 

É claro que se este tipo de tristeza se estende por um período demasiado (mais de 6 meses), causando um prejuízo significativo em vários aspectos na vida da pessoa (social, laboral, acadêmico, etc), este é um sinal de alerta que o indivíduo pode estar com depressão, precisando de avaliação e tratamento psicológico e psiquiátrico.

2. Sendo um caso realmente de depressão apenas a ajuda medicamentosa não é suficiente, sendo crucial que o profissional não apenas receite a medicação necessária, mas também encaminhe o paciente para tratamento psicoterápico. Através da terapia, o paciente pode compreender quais foram as causas que o levaram a desenvolver o transtorno, além de construir estratégias para o seu enfrentamento. Sem isso, ele pode até ter uma melhora dos sintomas por um certo período, mas acabado o tratamento medicamentoso, a depressão pode retornar.


Quero deixar claro que cada vez mais tenho me deparado com profissionais éticos (psiquiatras, neurologistas e afins) e que visam, em primeiro lugar, o bem-estar dos pacientes, receitando antidepressivos apenas quando necessário.


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