terça-feira, 26 de abril de 2011

Quer ser feliz? Erre mais!

Em minha prática clínica comecei a observar que meus pacientes sofrem pelos mais variados motivos, porém existe um que me deparo muito frequentemente: a autocrítica exagerada / perfeccionismo.

Autocrítica exagerada é você martirizar-se por coisas que fez ou deixou de fazer, buscando atingir um padrão de exigência muito elevado que você mesmo criou (perfeccionismo).

Não estou dizendo que não devemos buscar nosso aprimoramento, melhorar aquilo que nos incomoda. O problema está em não aceitar que somos seres imperfeitos e nos “chicotearmos” a cada falha, a cada erro cometido.

Quantas vezes, nestes momentos, não falamos coisas terríveis para nós mesmos, fazendo com que nos sintamos muito mal? Aliás, se um amigo nos contasse que cometeu um erro parecido, muito provavelmente seríamos mais condescendentes com ele e diríamos: “Ok, você errou, mas nada adianta se recriminar tanto. Agora, é tentar fazer diferente da próxima vez”.

O título dessa mensagem faz referência ao fato de que é impossível sermos felizes enquanto não pararmos de sermos nossos próprios carrascos, o que reflete uma total falta de consideração conosco.

É importante destacar que ninguém comete um erro que o faz sofrer de propósito e que se erramos é porque ainda não estávamos preparados para fazermos diferente, afinal, se já tivéssemos ao nosso dispor as estratégias necessárias para que não cometêssemos a falha, com certeza as usaríamos. Em alguns casos, a psicoterapia pode ser um recurso para que adquiramos tais estratégias.

Então, na próxima vez que você se perceber tratando-se mal por ter falhado, lembre-se: são os erros que nos permitem crescer porque é a partir deles que temos a possibilidade de mudar.

sábado, 23 de abril de 2011

A banalização do diagnóstico de depressão e uso de antidepressivos



É notável que nas últimas décadas houve um aumento considerável  na detecção de casos de depressão e consequentemente na prescrição de medicações antidepressivas. Porém, é importante refletirmos sobre as questões que podem estar por detrás desse "boom" da depressão na sociedade moderna e suas consequências para as pessoas que recebem tal diagnóstico, sem necessariamente se enquadrarem num caso de transtorno depressivo maior.

A indústria farmacêutica e profissionais de saúde não devidamente preparados  muito contribuíram para esta banalização da depressão. A primeira porque, obviamente, ganha muito difundindo o transtorno e vendendo os antidepressivos. Já alguns profissionais de saúde (aqui é importante ressaltar que não todos, mas sim os não-éticos) ganham pacientes prometendo melhora dos sintomas (geralmente tristeza e desânimo) através da medicalização, sem se preocuparem com as seguintes questões:

1. Se realmente o caso é de depressão ou apenas uma tristeza pontual e com motivo: em alguns casos a pessoa está passando por situações de vida que geram tristeza e é natural que assim o seja. 

Exemplos: perda de pessoas significativas, perda de emprego, fim de um relacionamento, diagnóstico de doença grave em ente querido, etc. Nestes casos, é mais que natural que a pessoa sinta-se triste e tenha um tempo para compreender a situação e se reestruturar. 

É claro que se este tipo de tristeza se estende por um período demasiado (mais de 6 meses), causando um prejuízo significativo em vários aspectos na vida da pessoa (social, laboral, acadêmico, etc), este é um sinal de alerta que o indivíduo pode estar com depressão, precisando de avaliação e tratamento psicológico e psiquiátrico.

2. Sendo um caso realmente de depressão apenas a ajuda medicamentosa não é suficiente, sendo crucial que o profissional não apenas receite a medicação necessária, mas também encaminhe o paciente para tratamento psicoterápico. Através da terapia, o paciente pode compreender quais foram as causas que o levaram a desenvolver o transtorno, além de construir estratégias para o seu enfrentamento. Sem isso, ele pode até ter uma melhora dos sintomas por um certo período, mas acabado o tratamento medicamentoso, a depressão pode retornar.


Quero deixar claro que cada vez mais tenho me deparado com profissionais éticos (psiquiatras, neurologistas e afins) e que visam, em primeiro lugar, o bem-estar dos pacientes, receitando antidepressivos apenas quando necessário.


sexta-feira, 22 de abril de 2011

OS OPOSTOS SE ATRAEM E SE COMPLEMENTAM: MITO CONJUGAL

“ Os opostos se atraem e se complementam” é outra crença que julgo importante fazermos uma reflexão, até mesmo para, quem sabe, evitarmos cair nesta armadilha.

Como afirma Lazarus, não é raro que pessoas com personalidades totalmente opostas se atraiam devido aos seus diferentes estilos de vida. É natural, por exemplo, que uma pessoa extrovertida atraia pessoas mais controladas e introvertidas ou que uma pessoa insegura se sinta muito bem ao lado de uma pessoa segura. O problema é que, como amigos ou amantes, eles se relacionam bem por um curto espaço de tempo, mas quando casam essas diferenças entram em choque.

Assim, o jeito exuberante e divertido dela, se torna motivo de irritação para ele, enquanto o jeito sério dele, que antes era visto como uma qualidade, começa a ser percebido como algo chato, massante. Diante disto, ele se retrai e ela se sente rejeitada, criando um isolamento entre o casal que repercutirá em sua intimidade.

Para o autor, os desentendimentos constantes por causa de limpeza, da desordem e por querer ser mais respeitado, interferem em assuntos mais importantes e causam muito ressentimento. Ele cita até mesmo um exemplo onde uma mulher obsessiva-compulsiva empurrou o marido para o alcoolismo (foi o modo que ele encontrou para lidar com o problema).

Como terapeuta, assim como Lazarus, acredito que o casamento tem maior probabilidade de dar certo quando existem mais semelhanças do que diferenças. Todos sabemos como a convivência diária com alguém não é fácil, pois mesmo que tenham personalidades semelhantes, cada pessoa é única no seu modo de sentir e perceber o mundo. Num relacionamento sempre existirão divergências, mas estas são mais facilmente superadas quando são pequenas, pois podem ser encaradas como enriquecedoras e excitantes. Porém, quando as diferenças são muito radicais e envolvem valores profundos como, por exemplo, como criar os filhos, podem provocar graves crises matrimoniais.

E você? O que acha deste assunto? Dê sua opinião ou conte sua experiência!

quinta-feira, 21 de abril de 2011

MITOS CONJUGAIS

O livro «Mitos Conjugais» do psicólogo Arnold Lazarus (Editorial Psy) traz uma reflexão sobre 24 crenças que podem arruinar uma relação amorosa, se configurando em uma importante obra para todos os interessados em melhorar seus relacionamentos.

Algumas crenças abordadas são bastante polêmicas, mas são fundamentadas na experiência do autor como terapeuta de casais.

Um exemplo é a crença «você deve fazer o outro feliz no casamento». De acordo com Lazarus um dos piores erros que cometemos é de aceitar a responsabilidade pelos sentimentos dos outros, nos culpando pela infelicidade alheia.

É importante compreender primeiro que a felicidade é um estado transitório e ninguém se sente feliz o tempo todo. Outra questão relevante, é que como afirmou Abrahan Lincon, «a maioria dos indivíduos são tão felizes quanto a capacidade deles permitem», ou seja, só o outro tem a capacidade de se fazer feliz e isto explica casos onde nos desdobramos para agradar nosso parceiro e não conseguimos.

Devemos fazer a nossa parte para termos uma boa relação, mas não devemos esquecer que cada um é responsável pela sua felicidade.

Para saber mais, leia o outro post sobre a crença "os opostos se atraem e se complementam"!