terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Agradecimento

Gostaria de agradecer a todos que estiveram em minha vida neste 2011. Talvez vocês não tenham ideia de como eu aprendo a cada encontro com vocês, seja através da força de vontade ou da coragem que têm de olharem de frente para suas dores e angústias. Meus sinceros agradecimentos!

Boas festas e um forte abraço!

domingo, 18 de dezembro de 2011

Documentário: Criança - A alma do Negócio

É muito importante que tomemos conhecimento do poder devastador da publicidade na psique infantil.

Pais ou não, recomendo que assistam este documentário. Abraço!

sábado, 3 de dezembro de 2011

Cuidado para não achar que você lê os pensamentos de seu cônjuge!

Resolvi abordar essa questão aqui porque vejo que este é um dos problemas mais frequentes que identifico em casais que me procuram para psicoterapia.

A primeira coisa que acho importante ressaltar é que ninguém é capaz de ler pensamentos de seu cônjuge. Pois é, parece óbvio, mas frequentemente casais se desentendem porque tem a impressão errônea que sabem ler os pensamentos de seus companheiros. No meu trabalho com casais, vejo muitas das chamadas distorções cognitivas, ou seja, quando interpretamos de forma errônea os pensamentos e sentimentos do outro. Um exemplo: Imagine que seu marido logo após o jantar ficou calado e parecendo irritado, daí você logo conclui: "aposto que ele tá com essa cara porque não gostou da minha comida! Deve estar comparando com a comida da mãe dele!". Então, você faz um comentário: "Que foi? Aposto que não gostou da comida!" e seu marido responde: "Eu, heim....o que tem a comida? Pare de me aborrecer com estas bobagens!". Bom, na verdade o marido estava lembrando da grosseria que seu chefe fez a ele esta manhã e este atrito não precisava ter ocorrido se você não tivesse tentado "adivinhar o pensamento dele".

Esta "leitura mental" que costumamos fazer ocorre com homens e mulheres e pode terminar em brigas horríveis onde um não compreende o outro. Lembre-se: apesar de você conhecer muito bem seu cônjuge, isto não lhe dá poderes paranormais de telepatia! 

Uma dica: Nunca diga ao outro o que ele está pensando ou sentindo. Primeiro pergunte para tentar clarificar o que realmente está acontecendo. Esta dica não serve apenas para casais, mas para todos os tipos de relações.

 Outro mito similar é pensar que "se o outro me amasse mesmo adivinharia todos os meus desejos/ pensamentos". Não se deixe levar por isto. Sempre explique o que você espera de seu parceiro. Ele não é obrigado a saber, os desejos são seus e não dele. Fale claramente: "Quando você faz X na situação Y, eu me sinto Z". Você verá que um gesto simples como este pode evitar muitos problemas.

Abraço e até a próxima!

domingo, 27 de novembro de 2011

Refletindo sobre a necessidade de segurança

Vocês já notaram como buscamos ter controle e segurança sobre tudo o que nos acontece? Caimos na ilusão de pensar que a vida pode ser controlável e podemos nos sentir seguros quanto ao que acontece com ela. Pois é, mas a vida é incontrolável e é impossível termos segurança de que o minuto seguinte será da forma que planejamos. É de suma importância aprendermos a lidar com este fato com tranquilidade.


"Quanto mais você quer segurança, menos tranquilo fica, criando um problema. Se você não pedir segurança, nunca se preocupará com a insegurança. Assim como as árvores são verdes, a vida é insegura. Se você começar a pedir que as árvores fiquem brancas, haverá um problema. O problema é criado por você e não pelas árvores - elas são verdes e não podem ser brancas. Elas não podem cumprir isso" (Osho)
 Este autor nos lembra que o fato da vida ser insegura é bom. Você só tem segurança da morte. Ele nos ensina que a vida é um milagre, você existir é um milagre, simplesmente porque você poderia não existir. É como uma flor que a qualquer momento, devido a ação do vento, por exemplo, pode ter suas pétalas arrancadas, sendo um milagre o fato da flor está ali.

Você só consegue ficar em paz quando aceita o fato de que a vida é insegura, que é impossível termos certeza, e como já foi dito, isto não deve ser encarado como algo ruim, muito pelo contrário, a insegurança da vida nos lembra que tudo é mutável, até mesmo as coisas que rotulamos como ruins.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Recomendação de leitura!

Uma vida sem limites
Nick Vujivic
Editora: Novo Conceito


Nicholas James Vijivic (Melbourne, 4 de dezembro de 1982) é um pregador e palestrante motivacional e diretor da Life without limbs. Nascido sem pernas e sem braços em razão de uma rara síndrome, tetra-amelia, Nick viveu uma vida de dificuldades e provações ao longo de sua infância. No entanto, ele conseguiu superar estas dificuldades e, aos 17 anos, iniciou sua própria organização sem fins lucrativos chamada Life without limbs (Vida sem membros). Depois da escola, Nick frequentou a faculdade e se formou com uma bidiplomação. Desse ponto em diante, começou suas viagens como palestrante motivacional e sua vida atraiu mais e mais a cobertura da mídia de massa. Atualmente, ele dá palestras regularmente sobre vários assuntos tais como a deficiência, a esperança e o sentido da vida.


Este livro vale à pena, queridos. A leitura é extremamente envolvente e realmente muito motivadora. Nick fala para todos, é extremamente sábio e conta como vence e segue em frente apesar de suas limitações físicas.

Minha passagem predileta do livro:

"A esperança é um catalisador. Ela pode remover obstáculos que parecem intransponíveis. Quando você insiste, recusando-se a desistir, cria ímpeto e movimento. A esperança gera oportunidades que jamais teria previsto. Acaba por atrair pessoas solícitas e generosas. Portas se abrem. Os caminhos são desbravados.
Lembre-se - ação gera reação. Quando se sentir tentado a abandonar seus sonhos, obrigue-se a continuar e a insistir mais um dia, mais uma semana, mais um mês, mais um ano. Você ficará impressionado com o que acontece quando se recusa a desistir." (Nickolas Vujivic)

domingo, 13 de novembro de 2011

Nick Vujivic - Uma vida sem limites




Nunca tinha ouvido falar dele, até que o vi na TV. O título deste artigo é justamente o título do livro de Nick que estou lendo neste exato momento. Esse é um vídeo para que possamos refletir sobre os limites que a gente se impõe. Muitas vezes nossos limites não são físicos, mas psicológicos. Acreditamos que não podemos ou que nossa vida deveria estar de um determinado modo e sofremos por isto. Não acho que há nada de errado em sofrermos, já que o sofrimento faz parte da vida e se somos seres humanos, ele ocorrerá. Porém, o que fazemos com ele? Podemos escolher entre nos colocar numa posição de vítima das circunstâncias ou acreditar que podemos a partir do sofrimento construir algo bom (independente se você é religioso como o Nick ou não). Reflitam sobre isto.
Grande abraço e até a próxima!

terça-feira, 8 de novembro de 2011

O Psicologia na sua vida agora também no Facebook!

Olá pessoal! Este blog agora também possui uma página no Facebook. Muitas coisas que eu postarei nesta página não serão encontradas aqui, pois lá, além de trechos de artigos daqui do blog, eu atualizarei com  frases próprias ou de outros autores, sempre motivadoras e com objetivo de nos fazer refletir sobre nossas vidas!

Conto com a ajuda de todos para que possamos promover cada vez mais o bem-estar não apenas em nossas vidas, mas nas das pessoas que nos cercam!

Muito obrigada a todos que seguem este blog, seja publicamente ou não. Vocês me fazem acreditar que nosso Ser sempre está em busca de aprimoramento e da autorealização!

Acesse: http://www.facebook.com/pages/Psicologia-na-sua-vida/240281869364507 e acompanhe pelo Facebook!

Beijo grande!

domingo, 30 de outubro de 2011

Tudo o que me acontece é o melhor possível que pode me acontecer!

Livro Zen e a Arte da Felicidade - Chris Prentiss- Editora Nova Era

O título desta postagem é uma frase muito ressaltada no livro "Zen e a Arte da Felicidade" de Chris Prentiss.
 Profundo conhecer do I ching, este autor aborda de forma clara alguns dos principais ensinamentos deste livro milenar chinês.

O que o autor quer dizer quando afirma que devemos olhar para as coisas que nos acontece acreditando que TUDO (até mesmo os eventos desagradáveis) deve ser encarado como o melhor possível que poderia nos acontecer?

Os eventos não são bons nem maus por si só, somos nós que os interpretamos deste ou daquele jeito. Até mesmo a morte (tão temida por nós ocidentais) pode ser vista sobre outra perspectiva se assim desejarmos. Seguindo este raciocínio o autor coloca que se pensarmos que tudo que nos acontece se mostrará benéfico, conseguimos paz de espírito.

Concordo com o autor, apesar de saber que como não estamos acostumados a ver o mundo desta forma, pode ser difícil seguir esta filosofia. Porém, acredito que, se ao menos tentarmos pensar deste modo, mesmo que não consigamos sempre, temos o poder de mudar nossos sentimentos ruins e até mesmo comportamentos que poderiam nos prejudicar. Vou dar um exemplo:

Imagine que você perdeu o emprego. Se a sua postura for pensar que este evento foi uma coisa terrível que lhe aconteceu, muito provavelmente você ficará triste (ou com raiva) e terá pensamentos que não lhe ajudarão a arrumar outro emprego. Um dos principais é acreditar (mesmo que subconscientemente) que será muito difícil arrumar outro. Bom, acreditando nisto, você pode até se esforçar, mandar currículos, etc, porém, você já se sente um fracassado e quem é que vai querer contratar uma pessoa que acredita que é um fracasso ou que tem crenças semelhantes? Também pode acontecer de você se boicotar e não ter a motivação necessária para buscar um novo emprego.

Pensando que a perda do emprego foi o melhor que poderia lhe ocorrer, você começa a acreditar que este evento não é algo ruim, muito pelo contrário, é uma oportunidade de crescimento. Você terá oportunidade de aprender que você não pode controlar a vida, que as coisas acontecem no momento que tem de acontecer, terá de lidar com sua ansiedade e com o fato de que talvez a perda do emprego ocorreu justamente para você poder repensar sua carreira, ou então conquistar um cargo ainda melhor, que lhe trará maior satisfação.

O autor do livro recomenda que comecemos a praticar esta nova maneira de pensar com coisas que não são tão impactantes, para que possamos ir gradativamente nos acostumando com esta filosofia. Afinal, pensar que a morte de um ente querido foi benéfico é algo muito difícil de ser feito. (apesar de que através do luto temos a oportunidade de aprendermos muitas coisas, principalmente como devemos valorizar as pessoas que estão ao nosso lado). Entretanto, eu acredito que, com a maioria das coisas que nos acontece é sim possível aplicar esta nova forma de ver o mundo. E então? Vamos tentar? Será que você não pode mudar a sua postura frente a algo que lhe aconteceu e você rotulou como ruim?

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Steve Jobs e seu discurso motivador

Não sei realmente quem foi Steve Jobs, pois apenas aqueles que conviveram com ele poderiam nos dizer. Porém, independente disto, uma coisa é certa. Neste discurso que depois de sua morte fora veiculado nos canais de comunicação, principalmente a internet, ele fora brilhante no que disse e se escutarmos com atenção, se trata de um discuso muito bonito e motivador. Vale a pena vê-lo na íntegra para quem não assistiu e aí está:

Um grande abraço e até!

sábado, 8 de outubro de 2011

Saberei viver

Quando encontrar o meu lugar no mundo. Quando integrar os meus sentimentos a todas as outras coisas. Quando não for tão instável. Quando conseguir controlar o meu estado de espírito. Quando não depender tanto da expectativa dos outros. Quando os meus olhos estiverem concentrados em mim. Quando não me desesperar mais por causa do que ainda não tenho. Quando puder me sentir inteiro mesmo nos dias cinzentos e chuvosos. Quando não quiser mais morrer sempre que tiver de resolver uma situação difícil. Quando não ficar paralisado por tédio, impotência, insegurança e medo. Quando puder fazer uma boa separação entre mim e os outros. Quando perder o medo de ter medo e tiver a paciência de me submeter ao tempo. Quando não houver pressa de alcançar o futuro e eu puder viver mais tranquilo e menos tenso. Quando eu falhar sem ter sensação de fracasso. Quando não ficar tão iludido a ponto de sofrer uma desilusão. Quando não me enraivecer com tanta frequência e puder tolerar melhor as coisas que não dão certo. Quando ficar «muito rico» não seja mais uma necessidade imperiosa para viver. Quando puder me olhar no espelho e ser mais condescendente quando não me achar tão belo.
Então... por certo ficarei em paz. Deixarei de me julgar com tanto rigor. Terei crescido. Serei dono de mim e das minhas coisas.
Saberei viver... MAIS FELIZ!
(Autor desconhecido)

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Controlando a sua mente para conseguir paz interior

Somos atormentados por pensamentos e ideias que introjetamos, muitas vezes desde a nossa infância, provenientes do modo como fomos criados e de crenças que desenvolvemos sobre como devemos ser,  nos comportar, sobre como são as pessoas e o mundo de uma maneira geral.

Um pensamento que pode assombrar nossa mente são aqueles que geram sentimentos de culpa. Fomos programados para "baixarmos nossa cabeça" para tudo, para nos sacrificar em prol das outras pessoas, mesmo que isto não custe muito caro. Devemos ser bonzinhos, educados, gentis, amáveis e mais uma lista interminável de deveres. Não sou contra a pessoa ser responsável, ou seja, assumir as consequências de suas escolhas, mas sou totalmente contra que alimentemos sentimentos de culpa, quando estes não são provenientes de algo ruim que fizemos de forma intencional.

Quantas vezes nos sentimos culpados apenas porque não agradamos os outros? Nossa obrigação primeira não deve ser com os outros, mas sim conosco. Podemos nos deixar de lado, não fazer o que a nossa alma gostaria que fizéssemos, somente porque aprendemos que isto é egoísmo? Ser egoísta é prejudicar o outro quando na verdade isto não era necessário. Se para agradar o outro eu tenho de passar por cima de mim, das minhas necessidades, desejos, vontades e ficar cada vez mais triste e amargurado comigo mesmo e com a vida, você pode estar sendo "bondoso" para com os outros, mas pode ter certeza que está sendo bastante malvado com você mesmo. E isto lhe trará consequências físicas (doenças orgânicas) e mentais (depressão, desânimo, estressse, tensão, irritabilidade, etc).

Devemos disciplinar nossa mente para que pensamentos que geram sentimentos que não nos fazem bem (tristeza, culpa, ansiedade, entre outros) parem de nos atormentar. Como fazemos? Devemos falar para nós mesmos: "Pára! Não aceito mais isso, não aceito que pensamentos deste tipo me atormentem!".
Você pode estar pensando: "falar é fácil, dífícil é fazer". Realmente, como estas ideias que temos e que prejudicam nosso caminhar na vida estão enraizados desde muito tempo, é necessário disciplina. Sim, é isso mesmo. Você precisa treinar a sua mente para afastar pensamentos que lhe fazem mal. Como você sabe que eles lhe fazem mal? Se você sentir um desconforto, principalmente angústia (aquele aperto no peito) pode ter certeza que isto é um sinal de que aquilo que você está pensando/ acreditando não lhe faz bem. Pode ser um pensamento de menos-valia, de que você deveria ter feito algo e não fez, de que não é profissional perfeito, etc.

Admito que disciplinar nossa mente, jogar fora velhos conceitos, reavaliar nossos pensamentos sobre nós, os outros e como estamos levando nossas vidas, pode ser difícil sem ajuda. Porém, é possível. Acredite, comece, dê o primeiro passo! Você sentirá que está fazendo algo por você e isto não tem preço. Não se preocupe com o depois, faça o que você puder (tiver condições) neste momento da sua vida, não se atropele e muito menos não se deixe para trás.

Espero que este artigo possa lhe ajudar a refletir sobre como você precisa disciplinar a sua mente para se sentir melhor.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Ansiedade: aliada ou vilã?



A ansiedade pode ser compreendida como um estado de tensão, apreensão e inquietação deflagrada quando estamos diante de um perigo iminente. Esta emoção geralmente vem acompanhada de sintomas físicos (palma das mãos suadas, batimentos cardíacos acelerados, dificuldades respiratórias, tonteira, tremor, entre outros).
A ansiedade pode ser considerada adaptativa, ou seja, sua função é nos preparar para agirmos caso algo ruim aconteça. Um exemplo disto é quando nos sentimos ansiosos pela proximidade de uma prova que julgamos difícil e, para evitar o perigo de retirarmos uma nota ruim, estudamos com afinco. Neste caso a ansiedade foi uma aliada.
A ansiedade passa de aliada a vilã quando, devido a sua intensidade, ao invés de nos prepararmos para combatermos o que nos preocupa, acabamos nos paralisando (no exemplo acima poderia dar o famoso «branco» na hora da prova) ou evitando a situação (faltar a prova).
Consideramos que a ansiedade precisa ser tratada quando interfere no bem-estar e na capacidade de realização do indivíduo.

Dentre os transtornos de ansiedade temos: a fobia específica (medo de coisas ou situações específicas como aviões, elevadores, animais, etc), a fobia social (medo diante de situações sociais),o transtorno de pânico (a pessoa sente uma ansiedade tão intensa que acha que pode morrer ou enlouquecer), o transtorno de estresse pós traumático (lembranças repetitivas de traumas terríveis com alto nível de sofrimento), transtorno obsessivo - compulsivo (pensar ou fazer coisas repetidamente) e o transtorno de ansiedade generalizada (a pessoa sente-se preocupada e ansiosa a maior parte do tempo).
Muitas vezes as pessoas não se enquadram em nenhum destes transtornos, porém sua ansiedade as prejudica de outras maneiras, e a psicoterapia também pode ser um recurso para elas. Além do tratamento psicoterápico, dependendo da intensidade dos sintomas, um tratamento psiquiátrico é indicado, caso seja necessário o uso de medicação.

É interessante observar que os indivíduos ansiosos possuem pensamentos que alimentam a ansiedade, como pensar que o pior de uma situação irá acontecer, sem considerar a possibilidade de outros desfechos

Na psicoterapia chamada cognitivo-comportamental, o paciente poderá junto com o terapeuta, analisar seus pensamentos ansiosos, trabalhar como mudar certos comportamentos que aumentam a ansiedade, além de aprender técnicas de relaxamento e respiração que ajudam a combatê-la.

Outra questão importante é que as crianças também sofrem de ansiedade, podendo apresentar os sintomas físicos já citados, além de desenvolverem comportamentos como forma de se acalmarem, por exemplo, roer unhas, chupar dedos ou evitarem situações que causam ansiedade.

A ansiedade infantil também precisa ser tratada, pois pode prejudicar o desempenho escolar, assim como a relação da criança com amigos e familiares.

DICAS PARA ALIVIAR A ANSIEDADE

  • Aprenda a respirar. A respiração de uma pessoa ansiosa é curta e depende excessivamente dos músculos do tórax. O correto é respirar utilizando o músculo diafragmático. Você já percebeu como os bebês respiram enquanto dormem? Eles movem a barriga durante a respiração, estufando-a quando o ar entra e encolhendo-a quando o ar sai. Ao crescermos ficamos com a tendência a mexer mais o torax do que o diafragma (mexemos mais a parte superior do peito do que a barriga) e isso faz com que a respiração fique mais entrecortada. Pesquisas indicam que este tipo de respiração propicia a ansiedade.
Siga as instruções abaixo e treine o quanto puder este tipo de respiração. Só depois de aprendermos a fazer corretamente o exercício respiratório é que poderemos perceber sua eficácia no combate a ansiedade

  1. Inspire lentamente pelo nariz contando até 3, bem devagar.
  2. Prenda a respiração, contando também até 3, bem devagar.
  3. Exale lentamente o ar pela boca, contando até 6, bem devagar
  4. Faça que o ar passe pelo diafragma e estufe o abdômen, durante a inspiração
  5. Faça com que o ar que você exala deixe o abdômen cada vez mais encolhido.
  6. Procure o ritmo ideal da sua respiração para você dentro deste estilo.

  • Faça atividade física. Pode ser um esporte ou uma simples caminhada. Estudos revelam que atividade física ajuda a combater a ansiedade

  • Evite bebidas estimulantes como o café, mate e outros.
- Examine seus pensamentos e perceba se não está “catastrofizando” (achando que o pior irá acontecer sem evidências concretas disto). Caso isto esteja ocorrendo, procure um terapeuta, pois ele poderá trabalhar estratégias específicas que possam ajudá-lo.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Afinal para que você veio ao mundo? Para ser feliz ou agradar as pessoas?

Desde que nascemos aprendemos que devemos agradar, fazer o que os outros querem para sermos amados. Tudo começa quando ainda bebês somos totalmente dependentes de nossa mãe (ou figura equivalente) para suprir nossas necessidades básicas de alimentação, segurança, estima e afeto. É a partir deste momento que aprendemos que devemos ser "bonzinhos" ou fazer tudo certo para que recebamos carinho e afeição.

Todos passamos por isto e é natural que seja assim. Os problemas começam a ocorrer quando nos esquecemos que não somos mais aquela criança que precisava e dependia do outro de tal forma, que nossa sobrevivência poderia estar ameaçada, ou seja, quando não percebemos que crescemos e que agora as coisas são diferentes.

Como adultos necessitamos ter relações saudáveis, onde um ser não precisa do outro para sobreviver. Sim, é na relação com o outro que podemos nos desenvolver, mas isto não quer dizer que devemos deixar nossas necessidades de lado para agradar alguém que amamos. É claro que podemos ceder algumas vezes, mas somente quando o que estamos fazendo pelo outro não nos prejudicar e for feito quando realmente estamos com vontade de fazê-lo. É necessário levar em consideração que também temos  nossas necessidades e estas devem ser respeitadas, principalmente por nós mesmos.

Toda vez que nos colocamos em segundo plano no intuito de agradar outrem, com medo que o mesmo não nos ame mais ou se afaste, esquecemos de perceber que se o outro não é capaz de perceber que você também tem as suas necessidades e que estas devem ser respeitadas e percebidas como  tão importante quanto as dele, é porque este alguém não te respeita e portanto não merece a sua companhia.


Isso lhe parece radical? Sim, pode até ser. Porém, meu objetivo é fazer você perceber que se você não se valoriza, como vai querer que os outros te respeitem? Se você diz sim o tempo todo, mesmo querendo dizer não, com medo de desagradar, na verdade está desconsiderando a pessoa mais importante da face da Terra: você! Como é possível que o outro respeite alguém que é o primeiro a não se respeitar, anulando seus sentimentos, reprimindo suas vontades, se escondendo atrás do medo que este outro se afaste?

Observo que a outra pessoa é capaz de perceber quando não estamos nos valorizando, e o que você mais teme acaba ocorrendo: o outro perde o interesse e se afasta. Afinal, quem quer ficar ao lado de um ser sem opinião, sem vontade, sem vida própria?

Escrevi este texto com objetivo de fazer com que você reflita se não está dispendendo muita energia tentando agradar aos outros e esquecendo que este tipo de atitude pode acabar trazendo consequências negativas para você, como por exemplo, tristeza, alto nível de estresse, doenças psicossomáticas, entre outras.

Por favor, não faça isso com uma pessoa tão especial: você mesma!











domingo, 24 de julho de 2011

O significado psicológico das doenças: Tendinite

Esse artigo é um resumo baseado no livro "Metafísica da Saúde" , Vol. 3, de Valcapelli e Gasparetto (Editora Vida & Consciência). Gosto muito desta coleção e sempre que tenho a oportunidade posso verificar na clínica como os meus pacientes se identificam com o significado psicológico das doenças descritos nestes livros. Para saber mais detalhadamente sobre esta e outras doenças recomendo a aquisição desta obra.

A tendinite é uma inflamação nos tendões e de acordo com Valcapelli & Gasparetto (2007) a pessoa que sofre desta enfermidade costuma executar suas atividades em um ritmo muito acelerado, podendo ocasionar a lesão por esforço repetitivo (LER). Para estes autores a tendinite ocorre geralmente em pessoas que se sobrecarregam executando atividades sem o devido planejamento e que não compreendem que a seu tempo tudo pode ser feito, sem a necessidade de tamanho estresse.

Para eles a tendinite afeta pessoas que são eficientes, mas não se valorizam, nem reconhecem seu potencial. Elas costumam dar mais importância à avaliação das pessoas sobre o que realizam à satisfação de estarem realizando aquilo que gostam.

As pessoas afetadas pela tendinite esquecem momentaneamente que as atividades que desempenham são aquilo que escolheram fazer nas suas vidas e que estas atividades não podem ser apenas sinônimo de pressão ou autocobrança, mas também de realização pessoal. Mesmo fazendo o que gostam, elas acabam perdendo a qualidade de realizar com prazer as suas funções.

Também de acordo com Valcapelli & Gasparetto a tendinite pode surgir em pessoas que executam tarefas que não suportam mais realizar. Neste caso, suas ações passam a ser automáticas e isto abala o seu equilíbrio interior, trazendo irritação.

Os autores sugerem que é necessário que a pessoa entenda que deve realizar suas ações focando-se no presente, sem ficar tentando antecipar os resultados esperados.

Para mim, Lory Gonçalves, a tendinite é, assim como outras doenças, um aviso que seu corpo dá para que você diminua o seu ritmo e olhe mais para dentro de si. No caso específico da tendinite, é compreender que você deve fazer o melhor que pode naquele momento, sem se exigir demasiadamente. Não será executando suas atividades de forma frenética, sem respeitar seus limites, que você fará que os resultados cheguem no momento em que deseja. Suas conquistas profissionais serão resultado de seu esforço pessoal para alcançá-las, mas também dependerão de uma série de fatores que você não tem controle.

Respeitar o seus limites, entender que as coisas só vão acontecer quando for o momento propício, e que você deve tentar retirar prazer do que faz,  são os caminhos para o alívio da tensão e a conscientização de que seu corpo e sua mente precisam do respeito e descanso devidos. Afinal, seja  qual for o seu trabalho, de alguma forma ele está lhe ajudando a prosperar e ensinando lições importantes para a sua vida.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

O divórcio e suas consequências para as crianças/ adolescentes

De acordo com Hyun Sik Kim que desenvolveu uma pesquisa sobre o tema na Universidade de Wisconsin- Madison, crianças com pais divorciados apresentam queda no rendimento em provas de matemática, mostram problemas com habilidades interpessoais e introspecção durante o período de divórcio. Já os jovens ficam mais propensos a sentimentos de ansiedade, solidão e principalmente baixa autoestima, diz estudo. (fonte: Revista Psique - Ano VI n° 67)

Como aponta esta pesquisa, concordo que realmente é necessário que os pais observem melhor o comportamento de seus filhos no momento do divórcio. Este é sim considerado um momento de crise familiar e mesmo que a opção pelo divórcio seja a melhor  (não apenas para os pais como para os filhos) é importante não esquecer que a relação marido e mulher pode ter acabado, mas a função materna e paterna não.

Mesmo que seu filho não apresente queda no rendimento escolar, com certeza alguma mudança comportamental poderá ser observada, afinal, a estrutura familiar se rompeu e todos devem se adequar ao novo arranjo familiar. Um dos problemas que percebo no consultório é como os pais às vezes "mascaram" ou preferem fingir que nada mudou para seus filhos, só porque nenhuma mudança brusca em seu comportamento ocorreu.

As crianças podem não demonstrar abertamente seus sentimentos e justamente por isso é tão importante o diálogo neste momento. Incentivar a criança / adolescente a falar sobre os seus sentimentos e ser franco com relação ao futuro da família é essencial. Demonstrar não apenas através de palavras, como também através de atos que, sim, o amor entre o casal pode ter acabado, mas não o amor pelo filho.

Não podemos esquecer também do cuidado ao falar do marido ou esposa que saiu de casa, pois uma das piores coisas que podemos fazer ao nosso filho é criar para ele uma imagem ruim de seus pais. Então, mesmo que existam mágoas, lembrem-se que seu filho nada tem a ver com as mesmas e que a alienação parental prejudica o bem estar psicológico do mesmo, além de quem o comete pode vir a ser punido legalmente (a lei prevê medidas que vão desde o acompanhamento psicológico, aplicação de multa ou até mesmo a perda da guarda da criança). Para saber mais sobre alienação parental acesse: http://www.alienacaoparental.com.br/lei-sap

Se você está em processo de divórcio e perceber que seu filho vem apresentando mudança comportamental significativa e se recusa a falar sobre o assunto, você pode pedir auxílio a um profissional (psicólogo) para que o mesmo lhe oriente e trabalhe estas questões com a criança / adolescente.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Por que nos autossabotamos e repetimos atitudes que atrapalham nossos relacionamentos?

Quantas vezes tentamos mudar em vão comportamentos e atitudes que nos desagradam, mas por mais que insistamos não temos êxito? Pode ser realmente muito frustrante quando percebemos que volta e meia estamos repetindo o mesmo comportamento inadequado que tempos atrás tínhamos prometido a nós mesmos que não mais o repetiríamos.

A explicação do por que nos autosabotamos é bastante complexa, justamente porque a causa varia de indivíduo para indivíduo, exigindo uma investigação profunda, investigação esta que deve ser feita através da psicoterapia.


Baseada em minha experiência clínica e em literatura específica, pude perceber que apesar de ser essencial que tenhamos um olhar diferenciado para cada caso, é possível observar que existe um fator que pode contribuir para que o ciclo da autossabotagem se instaure, nos fazendo repetir atitudes que nos fazem sofrer.


Essa autossabotagem pode ser uma repetição inconsciente de atitudes que aprendemos com nossos pais ou figura equivalente. Muitas vezes não nos damos conta que estamos repetindo as mesmas dificuldades que um de nossos genitores ou ambos apresentavam, e que observamos durante nossa infância e adolescência.

Como nossos pais são nossos modelos mais próximos,  é muito comum que aprendamos a olhar o mundo e as pessoas sobre um prisma muito parecido com o deles e sem percebemos repetimos seus comportamentos e maneiras de pensar, o que acaba resultando também na repetição em nossas vidas de erros que nossos pais cometeram.


Outro fator que considero interessante na autossabotagem inconsciente  é quando repetimos numa tentativa de mudarmos o que não foi bom. Um exemplo ocorre quando escolhemos sempre um determinado tipo de parceiro que se pararmos para analisar, nos trata de forma muito semelhante ao modo como uma de nossas figuras parentais nos tratavam, Neste caso, a repetição é uma tentativa inconsciente de nossa parte de tentarmos mudar  àquele pai/ mãe, de conseguirmos o carinho/ afeto que nos faltou. Já observei casos, por exemplo, de homens e mulheres que escolhiam parceiros que lhes rejeitavam ou lhes tratavam mal, exatamente igual como fora tratado por um de seus pais no passado, numa tentativa de conseguir o amor que lhes faltara.


Gostaria de salientar que essa repetição de nossos erros com objetivo de tentar consertá-los pode ser vivenciado não apenas no âmbito de nossos relacionamentos amorosos, como também em outros aspectos de nossa vida.


Outro aspecto intrigante da autossabotagem ocorre quando a pessoa repete atitudes que lhe fizeram sofrer no passado porque apesar do sofrimento, aquela atitude de alguma forma lhe traz alguma satisfação, ou seja, apesar da pessoa sofrer ela tira vantagens daquela situação e não percebe que repete, justamente também  porque aquilo lhe traz algum benefício. Uma situação que pode ser citada ocorre quando a pessoa se comporta de determinada forma para receber, por exemplo, atenção das pessoas. Nestes casos, além de sofrimento a repetição do erro também traz satisfação, mas sempre lembrando que a pessoa não tem consciência disto e não repete de forma premeditada.


Quero finalizar este artigo ressaltando a diferença entre se autossabotar e repetir um erro por falta de vontade de mudar, ou seja, por comodismo. Na autossabotagem a pessoa realmente não tem consciência do porquê repete algo que lhe faz mal e é através do processo psicoterápico que ela pode tomar consciência disto. Uma vez que toma consciência, o indivíduo passa a ter a liberdade de escolher, e trabalhando suas questões na terapia pode escolher conscientemente romper com o ciclo da autossabotagem. Se a pessoa mesmo tomando consciência continua repetindo atitudes destrutivas, pode ser porque não tem o interesse de mudar, isto é, pensa que as vantagens de continuar com tal comportamento são maiores que as desvantagens.


Sei que este artigo pode parecer um pouco polêmico para muitos, mas este é um assunto que particularmente me fascina e penso que pode fazer você refletir se está se autosabotando de alguma maneira e se quer romper com este ciclo.


Para saber mais leia: “O ciclo da auto-sabotagem - Por que repetimos atitudes que destroem nossos relacionamentos e nos fazem sofrer” de Stanley Rosner e Patricia Hermes.

OBS: Aqui autossabotagem fora escrito com base nas novas regras gramaticais.







sexta-feira, 24 de junho de 2011

Mente aprisionada: o Transtorno Obsessivo - Compulsivo

Muitas vezes temos pensamentos obsessivos que são pensamentos que ficam se repetindo na nossa cabeça. Às vezes, esses pensamentos não param e são sobre coisas preocupantes como germes, perigos ou coisas ruins que podem acontecer.

- Podemos pensar que as pessoas vão se machucar ou se envolver em acidentes.

- Podemos pensar que vamos ser contaminados ou transmitir aos outros germes ou doenças

- Podemos pensar que é “errado” deixar objetos não alinhados ou não organizados de uma determinada forma.

Pode ser difícil deixar de ter pensamentos obsessivos como estes. Como eles são muito preocupantes, podemos nos sentir incomodados ou ansiosos. Em busca de alívio, as pessoas muitas vezes tentar parar estes pensamentos agindo de uma maneira que faz com que se sintam melhor. Estas ações são chamadas de compulsões ou rituais, e incluem coisas como:


  • Lavar as mãos ou as roupas
  • Verificar coisas – como portas, interruptores de luz, janelas.
  •  Fazer coisas (como se lavar ou se vestir) de uma maneira especial
  • Repetir palavras, expressões ou números  um determinado número de vezes


Comportamentos compulsivos como estes podem assumir o controle. Cada dia se torna uma luta e cada vez mais tempo é gasto nestes rituais. Isto é chamado de Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC).
Então, o TOC é uma doença onde a pessoa geralmente tem pensamentos que ficam se repetindo em sua cabeça e executa ações (rituais) para aliviar a ansiedade causada pelos pensamentos.
É um transtorno comum, cerca de 4% da população mundial sofre de TOC, atingindo igualmente homens e mulheres. Não é uma doença rara, chegando a ter maior incidência do que outras doenças, como a asma e o diabetes, que afetam de 2% a 3% da população mundial.

Vergonha dos Rituais

Não é fácil para quem tem TOC contar que possuem ideias e ações repetitivas e desagradáveis. Essas pessoas tem consciência  de que suas obsessões e compulsões são esquisitas e sem lógica, fazendo com que se sintam envergonhadas. Para piorar, muitas vezes familiares e amigos não possuem conhecimento de que se trata de uma doença e que a pessoa não faz os rituais de propósito, mas sim porque não consegue se controlar. É muito importante que a família ajude no tratamento para que a pessoa se sinta mais confiante de que conseguirá superar o transtorno.
Na maioria dos casos de TOC  temos as obsessões associadas as compulsões. No entanto também poderemos encontrar pessoas que só possuem pensamentos obsessivos sem as compulsões. Também há casos onde o portador de TOC apresenta as compulsões sem nenhum tipo de pensamento obsessivo. Nestes casos, os rituais são desencadeados por uma intensa e incontrolável sensação de imperfeição, desconforto e falta de completude. Assim, as ações são repetidas até que a pessoa experimente a sensação de que aquilo que está fazendo está “correto”, “perfeito” e “completo”.


CAUSAS
Não se sabe ainda a causa do TOC. Algumas pesquisas vem apontando para vários fatores, que podem estar presentes separados ou em conjunto, mas os dados não são conclusivos. Exemplos de alguns fatores pesquisados: predisposição genética, situações de estresse, fatores neurobioquímicos (pouca disponibilidade de serotonina no cérebro), infecção por estreptococos beta – hemolíticos do grupo A (febre reumática), fatores psicológicos, etc.

TRATAMENTOS


  • Medicamentoso (antidepressivos)
  •  Terapia Cognitivo – Comportamental


Para a terapia cognitivo-comportamental nossos pensamentos interferem em como vamos nos sentir (tristeza, raiva, ansiedade, alegria, etc) e em nossas ações (comportamentos). Portanto, ela busca a mudança de padrões disfuncionais de pensamento (pensamentos distorcidos, que nos fazem sofrer) para que haja uma mudança também nos sentimentos e ações.

No caso do TOC o tratamento envolve:


  •  Identificação das obsessões e compulsões 
  • Técnica da Exposição e Prevenção de Resposta  - entrar em contato com situações, lugares e objetos que evita e não realizar os rituais que aliviam o desconforto causado pelas obsessões. É importante ressaltar que primeiro a pessoa lista todos os comportamentos compulsivos e vai parando gradualmente de fazê-los, começando pelos mais fácies, até chegar nos que geram maior aflição.
  • Treinamento em relaxamento, respiração e utilização de outras estratégias que aliviam a aflição
  • Identificação e questionamento dos pensamentos distorcidos

sábado, 21 de maio de 2011

O significado psicológico de alguns medos

Acho superinteressante estudar os motivos psicológicos pelos quais tememos alguma coisa. Então, resolvi abordar o significado de alguns medos aqui no blog.

É importante lembrar que a Psicologia não é uma ciência exata e que nem sempre o significado psicológico de alguma fobia necessariamente se relaciona com a sua vida. Porém, existem psicólogos que a partir de sua experiência em Psicologia Clínica conseguem perceber que algo se repete no que se refere aos comportamento ou personalidade daquele que teme algo específico. É o caso da autora Lourdes Possato em seu livro "Medos, Fobias e Pânico - Aprenda a lidar com estas emoções" da editora Lúmem. Para quem se interessa pelo assunto recomendo essa obra. Os medos que abordarei aqui são baseados no estudo de Lourdes.



Medo de ficar só ou de estar só

De acordo com Lourdes temos que refletir sobre por que é tão difícil para nós estarmos sós e devemos nos perguntar: "O que é difícil neste estado?" "Do que você sentirá falta?"

Através de perguntas como estas podemos entender que na verdade o medo de ficar só é um reflexo de algo anterior: o autoabandono. Eu também compartilho desta idéia de Lourdes. Quando tememos muito ficarmos sozinhos na verdade isto aponta para o fato de que de alguma forma não estamos fazendo por nós o que desejamos que o outro faça. Temos a esperança de que o outro nos suprirá com algo que necessitamos, mas na verdade somos nós que devemos atender as nossas necessidades e não colocarmos "nos ombros" dos outros tal  responsabilidade.

Tudo o que você mais gosta que o outro faça por você quando está em um relacionamento é exatamente o que você não faz por você mesmo. E enquanto não olhar para dentro de si e descobrir suas reais necessidades e conseguir satisfazê-las, este medo continuará te assombrando.

Não estou dizendo que devemos ficar sós ou que relacionamentos não são bons, muito pelo contrário. O que quero mostrar é que relacionamentos são ótimos para nosso desenvolvimento pessoal, porém quando se torna uma obsessão "ter alguém" ou se teme desesperadamente ficar só, isto quer dizer que você não está tendo êxito em suprir suas próprias necessidades e tem a ilusão de que o outro pode suprí-la. Na verdade o outro pode te ajudar nessa caminhada, mas só você pode fazer isto por você mesmo.

Se você está sozinho e está com medo da solidão, comece a se perguntar primeiro: o que você gosta tanto que o outro te faça? de que você sente falta?

O segundo passo é fazer isto por você mesmo. Exemplo: se eu temo ficar só porque tenho medo de não ter alguém ao meu lado nos momentos difícies, isto indica que você não fica ao seu lado no momento das dificuldades, precisa do outro como bengala, não sente-se capaz de superar as dificuldades através de seu esforço. É o primeiro a se colocar para baixo, se martirizar por não ter feito isto ou aquilo, ou seja, não ficar ao seu lado, se dando força e se apoiando.

Seja este ou outro motivo que você teme a solidão, não deixe de fazer este exercício de autoanálise e principalmente começar a fazer por você o que espera que o outro fará.

domingo, 8 de maio de 2011

A superficialidade das relações na era da internet: quantidade é qualidade?

Essa semana estive pensando numa queixa que sempre escuto, seja dentro ou fora do consultório, sobre como as pessoas podem se sentir sós mesmo em meio a uma multidão.

Penso que a internet e suas redes sociais promoveram um fenômeno interessante: triplicamos nossa quantidade de amigos, mas a quantidade de relações nem sempre quer dizer qualidade das mesmas, considerando que a grande maioria delas são superficiais.

Relações superficiais são aquelas que estabelecemos algum vínculo com a pessoa, mas se precisarmos contar com ela, não será possível, pois não criamos a intimidade necessária para nos sentirmos à vontade para isso.

Dependendo da pessoa, a internet promove afastamento ao invés de proximidade. Para aqueles que sabem utilizá-la de modo a ampliar o círculo social e conseguem transformar "amigos virtuais" em "amigos reais", ela é uma ótima ferramenta. Porém, para aqueles que possuem dificuldade de se autorevelarem, isto é, falar sobre seus pensamentos e sentimentos mais íntimos, sobre suas dificuldades e impasses, a internet acaba  promovendo afastamento, pois estas pessoas não são estimuladas a travar relações reais e perdem bastante com isso.

É somente numa relação não-virtual que aprendemos a lidar com o outro, com a diversidade, porque uma relação é sempre um processo de construção, nem sempre fácil, existindo "altos e baixos", onde o indivíduo é colocado à prova, aprendendo a entender quando é hora de ceder ou quando é hora de manter sua posição, quando é hora de reconhecer que errou, entre outras questões que só podem vir à tona numa relação real.

Uma vez escutei uma frase que infelizmente não me recordo do autor, mas dizia algo assim: "é somente na relação que a gente se humaniza". Resumindo: é somente na relação que a gente se constrói, é no contato com o outro que eu posso entender melhor quem sou eu, através dos feedbecks recebidos das pessoas que convivem conosco e que podem nos dar um parâmetro de quem somos.

Então, nunca esqueçam que quantidade nem sempre é sinônimo de qualidade, e se você se sente só mesmo com muitos amigos (sejam virtuais ou não) pode ser um sinal de alerta de que talvez você esteja fugindo de relações realmente autênticas.

domingo, 1 de maio de 2011

O medo de morrer x medo de viver

Tem uma autor que  admiro muitíssimo: Irvin Yallom. Ele é um psicólogo existencial que fala da angústia de morte de maneira sublime e tentarei passar para vocês o que seria a angústia de morte.

Todos nós tememos a morte e lidamos com ela desde cedo. Quando crianças, quando uma folha amarela cai da árvore, um bichinho de estimação morre ou até mesmo quando um ente querido falece, tomamos consciência de nossa mortalidade.

O problema começa quando na vida adulta ao negarmos nosso medo da morte ele surge de forma disfarçada, como por exemplo, através do Transtorno do Pânico. A angústia de morte também pode aparecer quando ficamos tristes com a proximidade de nosso aniversário e não entendemos o motivo, numa ansiedade que nos acomete sem um motivo aparente, entre outras formas.

Irvin, em seu livro "De frente para o sol", cita um trecho de uma obra de Nietzsche que explica de maneira belíssima uma das causas que pode estar relacionada ao nosso medo de morrer, quando este é muito forte. Nesta poesia fica claro que o medo exacerbado da morte pode ser um reflexo de uma vida que não está sendo vivida de forma plena, então a idéia de morte para algumas pessoas torna-se insuportável, pois ela sente que poderia estar vivendo uma vida que a satisfizesse mais, porém fica paralisada e sem conseguir viver essa vida.

Nietzche, em "Assim falava Zaratrusta" coloca:

" E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em sua mais solitária solidão e lhe dissesse: "Esta vida assim como tu a vives agora, e como a viveste, terás de vivê-la ainda mais uma vez e ainda inúmeras vezes; e não haverá nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indizívelmente pequeno e de grande em sua vida há de retornar, e tudo na mesma ordem e sequencia [...]


Não te lançarias ao chão e rangeria os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falastes assim? 
Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderias: "Tú és um Deus e nunca ouvi nada mais divino!"


Então, o medo exagerado do morrer seria para Irvin um reflexo de uma vida mal vivida, isto é, uma vida onde as pessoas estão mais preocupadas em satisfazer as necessidades dos outros do que as suas. Uma vida onde se faz tudo "certinho", tudo dentro do script, mas na verdade esta pessoa gostaria de realizar outras coisas em sua passagem na Terra, mas se paralisa diante do medo de ser ela mesma, do que os outros vão falar, etc.


E você? Acharia que a entidade da obra de Nietzsche seria um demônio ou um Deus? O que anda fazendo de sua existência? Está com medo de viver da forma que gostaria?



terça-feira, 26 de abril de 2011

Quer ser feliz? Erre mais!

Em minha prática clínica comecei a observar que meus pacientes sofrem pelos mais variados motivos, porém existe um que me deparo muito frequentemente: a autocrítica exagerada / perfeccionismo.

Autocrítica exagerada é você martirizar-se por coisas que fez ou deixou de fazer, buscando atingir um padrão de exigência muito elevado que você mesmo criou (perfeccionismo).

Não estou dizendo que não devemos buscar nosso aprimoramento, melhorar aquilo que nos incomoda. O problema está em não aceitar que somos seres imperfeitos e nos “chicotearmos” a cada falha, a cada erro cometido.

Quantas vezes, nestes momentos, não falamos coisas terríveis para nós mesmos, fazendo com que nos sintamos muito mal? Aliás, se um amigo nos contasse que cometeu um erro parecido, muito provavelmente seríamos mais condescendentes com ele e diríamos: “Ok, você errou, mas nada adianta se recriminar tanto. Agora, é tentar fazer diferente da próxima vez”.

O título dessa mensagem faz referência ao fato de que é impossível sermos felizes enquanto não pararmos de sermos nossos próprios carrascos, o que reflete uma total falta de consideração conosco.

É importante destacar que ninguém comete um erro que o faz sofrer de propósito e que se erramos é porque ainda não estávamos preparados para fazermos diferente, afinal, se já tivéssemos ao nosso dispor as estratégias necessárias para que não cometêssemos a falha, com certeza as usaríamos. Em alguns casos, a psicoterapia pode ser um recurso para que adquiramos tais estratégias.

Então, na próxima vez que você se perceber tratando-se mal por ter falhado, lembre-se: são os erros que nos permitem crescer porque é a partir deles que temos a possibilidade de mudar.

sábado, 23 de abril de 2011

A banalização do diagnóstico de depressão e uso de antidepressivos



É notável que nas últimas décadas houve um aumento considerável  na detecção de casos de depressão e consequentemente na prescrição de medicações antidepressivas. Porém, é importante refletirmos sobre as questões que podem estar por detrás desse "boom" da depressão na sociedade moderna e suas consequências para as pessoas que recebem tal diagnóstico, sem necessariamente se enquadrarem num caso de transtorno depressivo maior.

A indústria farmacêutica e profissionais de saúde não devidamente preparados  muito contribuíram para esta banalização da depressão. A primeira porque, obviamente, ganha muito difundindo o transtorno e vendendo os antidepressivos. Já alguns profissionais de saúde (aqui é importante ressaltar que não todos, mas sim os não-éticos) ganham pacientes prometendo melhora dos sintomas (geralmente tristeza e desânimo) através da medicalização, sem se preocuparem com as seguintes questões:

1. Se realmente o caso é de depressão ou apenas uma tristeza pontual e com motivo: em alguns casos a pessoa está passando por situações de vida que geram tristeza e é natural que assim o seja. 

Exemplos: perda de pessoas significativas, perda de emprego, fim de um relacionamento, diagnóstico de doença grave em ente querido, etc. Nestes casos, é mais que natural que a pessoa sinta-se triste e tenha um tempo para compreender a situação e se reestruturar. 

É claro que se este tipo de tristeza se estende por um período demasiado (mais de 6 meses), causando um prejuízo significativo em vários aspectos na vida da pessoa (social, laboral, acadêmico, etc), este é um sinal de alerta que o indivíduo pode estar com depressão, precisando de avaliação e tratamento psicológico e psiquiátrico.

2. Sendo um caso realmente de depressão apenas a ajuda medicamentosa não é suficiente, sendo crucial que o profissional não apenas receite a medicação necessária, mas também encaminhe o paciente para tratamento psicoterápico. Através da terapia, o paciente pode compreender quais foram as causas que o levaram a desenvolver o transtorno, além de construir estratégias para o seu enfrentamento. Sem isso, ele pode até ter uma melhora dos sintomas por um certo período, mas acabado o tratamento medicamentoso, a depressão pode retornar.


Quero deixar claro que cada vez mais tenho me deparado com profissionais éticos (psiquiatras, neurologistas e afins) e que visam, em primeiro lugar, o bem-estar dos pacientes, receitando antidepressivos apenas quando necessário.


sexta-feira, 22 de abril de 2011

OS OPOSTOS SE ATRAEM E SE COMPLEMENTAM: MITO CONJUGAL

“ Os opostos se atraem e se complementam” é outra crença que julgo importante fazermos uma reflexão, até mesmo para, quem sabe, evitarmos cair nesta armadilha.

Como afirma Lazarus, não é raro que pessoas com personalidades totalmente opostas se atraiam devido aos seus diferentes estilos de vida. É natural, por exemplo, que uma pessoa extrovertida atraia pessoas mais controladas e introvertidas ou que uma pessoa insegura se sinta muito bem ao lado de uma pessoa segura. O problema é que, como amigos ou amantes, eles se relacionam bem por um curto espaço de tempo, mas quando casam essas diferenças entram em choque.

Assim, o jeito exuberante e divertido dela, se torna motivo de irritação para ele, enquanto o jeito sério dele, que antes era visto como uma qualidade, começa a ser percebido como algo chato, massante. Diante disto, ele se retrai e ela se sente rejeitada, criando um isolamento entre o casal que repercutirá em sua intimidade.

Para o autor, os desentendimentos constantes por causa de limpeza, da desordem e por querer ser mais respeitado, interferem em assuntos mais importantes e causam muito ressentimento. Ele cita até mesmo um exemplo onde uma mulher obsessiva-compulsiva empurrou o marido para o alcoolismo (foi o modo que ele encontrou para lidar com o problema).

Como terapeuta, assim como Lazarus, acredito que o casamento tem maior probabilidade de dar certo quando existem mais semelhanças do que diferenças. Todos sabemos como a convivência diária com alguém não é fácil, pois mesmo que tenham personalidades semelhantes, cada pessoa é única no seu modo de sentir e perceber o mundo. Num relacionamento sempre existirão divergências, mas estas são mais facilmente superadas quando são pequenas, pois podem ser encaradas como enriquecedoras e excitantes. Porém, quando as diferenças são muito radicais e envolvem valores profundos como, por exemplo, como criar os filhos, podem provocar graves crises matrimoniais.

E você? O que acha deste assunto? Dê sua opinião ou conte sua experiência!

quinta-feira, 21 de abril de 2011

MITOS CONJUGAIS

O livro «Mitos Conjugais» do psicólogo Arnold Lazarus (Editorial Psy) traz uma reflexão sobre 24 crenças que podem arruinar uma relação amorosa, se configurando em uma importante obra para todos os interessados em melhorar seus relacionamentos.

Algumas crenças abordadas são bastante polêmicas, mas são fundamentadas na experiência do autor como terapeuta de casais.

Um exemplo é a crença «você deve fazer o outro feliz no casamento». De acordo com Lazarus um dos piores erros que cometemos é de aceitar a responsabilidade pelos sentimentos dos outros, nos culpando pela infelicidade alheia.

É importante compreender primeiro que a felicidade é um estado transitório e ninguém se sente feliz o tempo todo. Outra questão relevante, é que como afirmou Abrahan Lincon, «a maioria dos indivíduos são tão felizes quanto a capacidade deles permitem», ou seja, só o outro tem a capacidade de se fazer feliz e isto explica casos onde nos desdobramos para agradar nosso parceiro e não conseguimos.

Devemos fazer a nossa parte para termos uma boa relação, mas não devemos esquecer que cada um é responsável pela sua felicidade.

Para saber mais, leia o outro post sobre a crença "os opostos se atraem e se complementam"!